terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Há dias venho pensando em que rumo dar ao blog.
Fiquei tanto tempo ausente, que pensei em deletá-lo, mas me dei conta de que este é o melhor testemunho que posso passar: o registro do tempo real de alguém que está lutando por grandes mudanças internas.
Hoje já é quase final de 2014, e posso dizer que estou plenamente ativa em duas batalhas: a organização da minha casa e a reeducação alimentar.
Pode parecer redundante, já que desde o início do blog eu falo que estou desenvolvendo estes temas, mas não é. Para mim, estar em tratamento nem sempre foi trabalhar ativamente na mudança. Sinto que durante o tratamento novos conceitos foram se formando pouco a pouco na minha mente, mas de imediato foi difícil colocá-los em prática. Precisei praticar primeiro a mudança mental, ver muitos exemplos de organização de outras casas, "enxergar" o lixo que antes eu não via. Neste período qualquer tentativa de mudar a casa, fisicamente, foi apenas uma motivação passageira. Paralelamente, a obesidade permanecia me incomodando. Segundo minha psicóloga, obesidade nada mais é que o acúmulo que pratico em mim, da mesma forma que eu acumulei coisas na casa. Uma defesa, ou outra armadilha mental que criamos contra nós mesmos.
Pois é, foram longos meses caminhando, caindo, levantando...
Há cerca de três meses parei de tomar os remédios por minha conta. Levei um puxão de orelha da psicóloga, mas eu não entendia o que estava acontecendo. Apesar de todo o tratamento, de todo o apoio que recebo, passei a sentir muito, muito sono, falta de vontade de fazer qualquer coisa. Cheguei a perder prazo de entrega de um pedido, e tive sérios problemas com a cliente. Entrei e saí rapidamente de um trabalho de meio período, porque não conseguia conciliar com minha vida pessoal e o artesanato. Neste mesmo período, encerrei o tratamento com a psicóloga por problemas de horário. Fui ficando desesperada, me dei conta de que eu não reagia mais à vida, fazia apenas as tarefas essenciais, e não tinha ânimo para mais nada. Eu sabia que era pré-diabética, já tinha sido alertada pela psicóloga sobre a importância do tratamento, e tinha em casa o aparelho de medição. Mas com todo esse desânimo, sequer fazia o controle. Um dia resolvi dar uma olhada na glicemia. Tamanho foi o susto que levei quando vi o marcador mostrar 361 (o máximo que deveria estar era 110). Imediatamente me deu um estalo, e fui pesquisar se o sono poderia estar relacionado a isto.
Foi certeiro! Entrei num site médico e estava escrito: "diabetes acima de 300 pode causar não só sono, como torpor, e até mesmo o coma."
Fiquei preocupadíssima, mas ao mesmo tempo eu tinha a solução em minhas mãos: definitivamente eu não queria mais aquele sono, aquela sensação de incapacidade. Acordei no dia seguinte, tomei o café da manhã de sempre, porque ainda não sabia bem como iria me alimentar agora, e a glicemia estava em 305. Fui ao mercado, comprei legumes simples - berinjela, chuchu... e troquei o arroz do almoço por legumes cozidos, acompanhado de uma porção de proteína (frango, ovo etc). Neste dia tomei os remédios corretamente. Ao final do dia, a glicemia estava em 186, mas eu já me sentia muuuito melhor.
Isso foi em 10/12/2014. Sim, faz apenas 6 dias. Nesses poucos dias redescobri quem eu sou. Percebo que o tratamento psiquiátrico sempre esteve certo, e eu quase desisti de tudo por ter relaxado em cuidar de mim. Voltei a tomar o antidepressivo, estou trabalhando de verdade para mudar minha casa, estou "botando a mão na massa", como dizem. E meu corpo está mais leve, embora ainda seja cedo para ver qualquer diferença, mas eu sinto que uma grande mudança está se concretizando.
A mudança que começou lá, no consultório da psicóloga, nas primeiras palavras dela que até hoje permanecem em meu pensamento, e que com o tempo me ajudaram a moldar essa mente mais organizada e mais capaz, que agora começa a agir a meu favor.



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