domingo, 28 de dezembro de 2014

A DOR DO NOSSO TEMPO...

A DOR DO NOSSO TEMPO...

Ana Paula Hawatt - Psicóloga

O que leva as pessoas a serem tão ansiosas? O que em nosso tempo motiva as pessoas a pensarem tanto no futuro? Por que não conseguimos vivenciar o nosso dia a dia como forma de usufruir melhor de nossos momentos?
Muitas vezes deixamos de viver mesmo quando o corpo físico está presente, mas nossos pensamentos nos levam para tão longe, para lugares onde não temos nenhum domínio, ou porque é passado, ou porque ainda esta por acontecer (futuro). Mas uma coisa percebemos: a nossa impotência diante do acontecimento gera ansiedade.
A ansiedade antecipatória nos mobiliza e causa em nosso organismo alterações orgânicas, gerando uma sensação de desconforto. Com isso o nosso comportamento é imediatamente modificado, passando muitas vezes a ser regido por esse estado mental. Diante de tantos acontecimentos, na maioria desfavoráveis e ameaçadores, nos sentimos desamparados e entregues à própria sorte.
Os tempos mudaram; saímos de uma época onde obedecíamos as regras e normas ditadas pelo poder regulador, que eram as instituições como igreja e organizações políticas, cujos preceitos eram formas normatizadoras do comportamento; sabíamos muito bem como agir, o que era certo e errado.
Porém, os homens, sempre de alguma forma, questionaram e transgrediram o que estava proposto, as instituições se enfraqueceram e as leis começaram a ser questionadas, as verdades pré-estabelecidas passaram a ser relativas e subjetivas.
Com esse enfraquecimento das instituições o homem assume a sua autonomia e a responsabilidade de suas escolhas, do que é bom ou mau para ele mesmo; isso começa a pesar sobre seus ombros; como dirigir sozinho nosso destino? Essa liberdade tem um preço: a plena responsabilidade de nossas escolhas, ou seja, de acertos e erros e aí vivermos o tempo inteiro decidindo e julgando o que é melhor para nós mesmos.
Assim, muitas vezes perdemos o outro de vista, gerando um afrouxamento cada vez maior dos laços afetivos, uma vez que priorizamos a nós mesmos e deixamos a natureza e o outro em segundo plano. Isso é a essência do individualismo: os discursos ideológicos perderam o sentido, a desintegração social está no auge, haja vista a falta de ética que impera no Brasil e no mundo, pois prioriza-se o interesse particular em detrimento do bem comum. Isso que aparentemente nos estrutura como sujeito hipermoderno, na verdade nos fragiliza.
O homem é um ser de sociedade, que precisa fundamentalmente do amor do outro para viver. É no reconhecimento e principalmente no cuidado do outro que ele se constitui. Com essa dificuldade de amar verdadeiramente os outros nos perdemos de nós mesmos, nos desconhecendo. Mas como evitar o medo de não nos conhecer? E de não ser amado pelo próximo? Que nome tem esse vácuo que me distancia de mim e do mundo que habito?
Acredito que precisamos voltar a respeitar a natureza, amar ao próximo como forma primeira de sobrevivência e de estruturação psíquica, pois só quando nos relacionamos bem e nos damos verdadeiramente ao outro é que criamos um sentimento de pertencimento ao mundo que habitamos, nutrindo a nossa função humana de semear a paz, o amor e o respeito entre os homens, construindo um mundo mais acolhedor, nos tornando cada vez mais seguros de si e quem sabe, atenuando esse medo que nos acomete e que faz nos sentirmos estranhos a nós mesmos e ao mesmo tempo fora do lugar.
Ao procurarmos nos conhecer melhor, tomamos consciência de nossos pensamentos e ações, onde diferentemente de alguns acontecimentos esses são passíveis de nosso domínio. Uma mente sã lhe dará a propriedade de si e de seu corpo.
Assim nenhum pensamento lhe invadirá sem sua permissão, nada será antecipado sem que não esteja no momento de acontecer. Domando assim essa ansiedade que gera sofrimento e muitas vezes dificulta a nossa vida, nos tornando prisioneiros de nós mesmos.

Fonte: Página da Orgone Psicologia Clínica
https://www.facebook.com/orgone.psicologia/posts/803261729720361?fref=nf

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Identifique o que seu cérebro não entende.

Grande parte dos nossos problemas está no fato de que o cérebro não identifica que determinadas situações são erradas, ou inadequadas.
Por exemplo, outro dia estava varrendo a casa, e tinha uma moeda no chão. Meu cérebro entendeu que a moeda não era lixo, mas ao invés de tirá-la do chão, a reação automática foi varrer o lixo ao redor, e deixar a moeda lá, pois não era lixo.
Ao perceber o erro, tirei a moeda do chão e continuei varrendo. Mas tenho certeza de que se pudesse rever um filme do meu comportamento nos últimos anos, haveria inúmeras situações em que eu não recolhi a moeda. Porque esse comportamento era automático.
É como uma máquina que foi programada da forma errada, e repetirá automaticamente o erro, até o dia em que o programador perceber e corrigir o problema.
Isso vale também para os hábitos alimentares, quando todo salgado precisa ser seguido por um doce, por exemplo, ou quando repetimos sem pensar uma comida muito boa, ou tantas outras situações que conhecemos também.
Sugiro e tento praticar: que identifiquemos os erros automáticos, e que comecemos a corrigi-los na prática e na imaginação. Imaginar o chão totalmente limpo, por exemplo, pode fazer o cérebro entender que a moeda sempre deve ser recolhida. Enfim, não sou especialista, apenas mostro o que tenho feito para tentar mudar. Se alguém tiver outras sugestões, por favor conte pra gente!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Há dias venho pensando em que rumo dar ao blog.
Fiquei tanto tempo ausente, que pensei em deletá-lo, mas me dei conta de que este é o melhor testemunho que posso passar: o registro do tempo real de alguém que está lutando por grandes mudanças internas.
Hoje já é quase final de 2014, e posso dizer que estou plenamente ativa em duas batalhas: a organização da minha casa e a reeducação alimentar.
Pode parecer redundante, já que desde o início do blog eu falo que estou desenvolvendo estes temas, mas não é. Para mim, estar em tratamento nem sempre foi trabalhar ativamente na mudança. Sinto que durante o tratamento novos conceitos foram se formando pouco a pouco na minha mente, mas de imediato foi difícil colocá-los em prática. Precisei praticar primeiro a mudança mental, ver muitos exemplos de organização de outras casas, "enxergar" o lixo que antes eu não via. Neste período qualquer tentativa de mudar a casa, fisicamente, foi apenas uma motivação passageira. Paralelamente, a obesidade permanecia me incomodando. Segundo minha psicóloga, obesidade nada mais é que o acúmulo que pratico em mim, da mesma forma que eu acumulei coisas na casa. Uma defesa, ou outra armadilha mental que criamos contra nós mesmos.
Pois é, foram longos meses caminhando, caindo, levantando...
Há cerca de três meses parei de tomar os remédios por minha conta. Levei um puxão de orelha da psicóloga, mas eu não entendia o que estava acontecendo. Apesar de todo o tratamento, de todo o apoio que recebo, passei a sentir muito, muito sono, falta de vontade de fazer qualquer coisa. Cheguei a perder prazo de entrega de um pedido, e tive sérios problemas com a cliente. Entrei e saí rapidamente de um trabalho de meio período, porque não conseguia conciliar com minha vida pessoal e o artesanato. Neste mesmo período, encerrei o tratamento com a psicóloga por problemas de horário. Fui ficando desesperada, me dei conta de que eu não reagia mais à vida, fazia apenas as tarefas essenciais, e não tinha ânimo para mais nada. Eu sabia que era pré-diabética, já tinha sido alertada pela psicóloga sobre a importância do tratamento, e tinha em casa o aparelho de medição. Mas com todo esse desânimo, sequer fazia o controle. Um dia resolvi dar uma olhada na glicemia. Tamanho foi o susto que levei quando vi o marcador mostrar 361 (o máximo que deveria estar era 110). Imediatamente me deu um estalo, e fui pesquisar se o sono poderia estar relacionado a isto.
Foi certeiro! Entrei num site médico e estava escrito: "diabetes acima de 300 pode causar não só sono, como torpor, e até mesmo o coma."
Fiquei preocupadíssima, mas ao mesmo tempo eu tinha a solução em minhas mãos: definitivamente eu não queria mais aquele sono, aquela sensação de incapacidade. Acordei no dia seguinte, tomei o café da manhã de sempre, porque ainda não sabia bem como iria me alimentar agora, e a glicemia estava em 305. Fui ao mercado, comprei legumes simples - berinjela, chuchu... e troquei o arroz do almoço por legumes cozidos, acompanhado de uma porção de proteína (frango, ovo etc). Neste dia tomei os remédios corretamente. Ao final do dia, a glicemia estava em 186, mas eu já me sentia muuuito melhor.
Isso foi em 10/12/2014. Sim, faz apenas 6 dias. Nesses poucos dias redescobri quem eu sou. Percebo que o tratamento psiquiátrico sempre esteve certo, e eu quase desisti de tudo por ter relaxado em cuidar de mim. Voltei a tomar o antidepressivo, estou trabalhando de verdade para mudar minha casa, estou "botando a mão na massa", como dizem. E meu corpo está mais leve, embora ainda seja cedo para ver qualquer diferença, mas eu sinto que uma grande mudança está se concretizando.
A mudança que começou lá, no consultório da psicóloga, nas primeiras palavras dela que até hoje permanecem em meu pensamento, e que com o tempo me ajudaram a moldar essa mente mais organizada e mais capaz, que agora começa a agir a meu favor.