São muitos os caminhos que nos levam a buscar um psicólogo, mas o ponto comum a quase todos é a sensação de desespero, de que não estamos conseguindo dar conta de nossa própria vida.
No meu caso, sempre fui uma apaixonada por artesanato, e posso dizer que isso é o que eu sei fazer de melhor na vida. Portanto, seria muito natural ter escolhido o caminho do artesanato ou das artes plásticas desde o início da minha carreira.
Mas não foi o que aconteceu, passei toda a vida oscilando entre o artesanato e o trabalho em empresas. Nas empresas, nunca alcancei um cargo significativo, porque não era o que eu queria. Ficava empregada cerca de dois anos, me sentia segura e saía da empresa para voltar ao artesanato. Cerca de seis meses depois, começava a ficar insegura por não ter uma renda fixa, e em menos de um ano lá estava eu distribuindo currículos novamente, embora os clientes batessem em minha porta para comprar artesanato.
Foi essa instabilidade que me levou ao consultório de uma psicóloga. Quando uma situação difícil se repete muito na vida, chega um momento em que começamos a desconfiar que o problema está em nós mesmos, e não do lado de fora.
Então relatei a psicóloga muitos fatos relevantes da minha vida. Além desse ciclo destrutivo da minha vida profissional, o fato de já ter tido muitos cães e gatos em casa, de forma descontrolada, e de não conseguir manter minha casa em ordem, também caracterizavam uma doença.
Logo no início, ela me disse que eu tinha TOC e depressão, e que não era possível iniciar um tratamento psicológico sem o acompanhamento de um psiquiatra, porque eu não tinha base emocional para lidar com questões que estavam escondidas dentro de mim. Questões acumuladas, como estão acumulados os objetos do lado de fora.
Ou seja, entrei na sala em busca de um aconselhamento para sair de uma situação profissional instável, e saí com um diagnóstico que me chocou a princípio, e depois me deixou aliviada.
Se por um lado foi desesperador saber que minha vida poderia ter sido diferente se fosse diagnosticada mais cedo, por outro lado foi um alívio saber que daqui para a frente pode ser diferente.
De lá para cá tenho seguido a risca as orientações da psicóloga.
Tem sido comum me surpreender com quem eu sou, já que me escondi por muito tempo.
Sempre tive medo, embora minha postura diante das pessoas possa demostrar o contrário.
Essa impressão de força e coragem sempre foi minha melhor defesa!
Não por acaso, também sou obesa. Várias camadas de defesa acumuladas em mim mesma...
Sinto que para o tratamento ter sucesso é preciso estarmos totalmente entregues a nós mesmos. Eliminar pensamentos que nos sabotam, olhar para nós mesmo cruamente, com todos os defeitos. Zerar atitudes e posicionamentos que adquirimos para agradar os outros, e enxergar quem realmente somos, o que realmente nos faz bem e o que nos faz mal.
É difícil, doloroso muitas vezes, mas é libertador!
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